domingo, 3 de junho de 2018

...

nunca é tarde...
mesmo que o relógio parado
não tenha corda
ou esteja avariado.

e, se for cedo de mais
não esperes pelo tempo
pois a espera é sempre perda.

lm_03.jun.2018

quinta-feira, 1 de março de 2018

ar

respiro
o ar está frio
e o sol acorda.

tudo normal:
a vida passa devagar.
amanhã será igual?

LM_01.03.2018


quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

duas vidas

gosto de velas e da sua chama oscilante ao sabor dum pequeno suspirar.

gosto de observar a cor da suave luz dando-me um hipnotizante relaxamento e deixando navegar o pensamento, livre como o ar.

e, foi ao colocar dois pavios na mesma vela, próximos e acesos, que reparei como duas chamas independentes se juntavam numa só, elevada e respirando o mesmo destino.

até que um dos pavios, por uma razão desconhecida, se apagou, deixando a chama mais reduzida e só... 

LM_10.jan.2018

sábado, 23 de dezembro de 2017

sob as estrelas


Primeiro, era uma pequena luz branca, difusa, no horizonte. Depois, aos poucos, duas luzes coloridas, juntaram-se ao olhar.

Inclinou-se, suavemente, para a esquerda e, passados alguns segundos, para a direita. 

Após estabilizar a direcção para Norte, foi lentamente subindo, até passar por baixo da Lua, em quarto-crescente, interceptando-a.

Aproximou-se, rapidamente, da posição do observador, com um som cavo, mas poderoso dos motores. E, pouco tempo após, sobrevoava por cima das luzes da vila, num espectáculo deslumbrante.

Tinha um farol de luz branca, brilhante, dirigido em frente mas, sem qualquer razão que se entenda, uma outra luz, igualmente poderosa, iluminava a retaguarda, incidindo, por breves instantes, parecendo querer focar o ponto visual.

Rapidamente, e sob um céu estrelado, todo o bojo daquele esplendoroso veículo, passou por cima da posição, deixando visível as janelas iluminadas.

Já longe e com a distância a aumentar, ainda se viu por instantes, a desaparecerem, as pequenas luzes, verde e vermelha, a piscarem. 

O avião seguia num único propósito: o de poisar num defenido lugar e cumprir uma missão.

E, na noite fria, num rumo e numa rota desconhecidos, haveria um grupo de pessoas a partilharem, por algumas horas, um comum destino.

Vidas diferentes e pensamentos divergentes tinham, por momentos, um comum objectivo: chegar.

Saber para onde vão, quem são e, qual as suas estórias, são coisas que jamais se saberão.

Tudo isto suscitou um pequeno desejo: de, o espectador estar no lugar duma daquelas pessoas, a olhar para baixo o seu próprio 'eu', num só tempo e em dois espaços. 
Viajar, sem ir ou estar.

LuísM 23.12.2017 (noite estrelada)


segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

ser e ter

Ser e Ter

Escrever
É tentar ser
Em solidão
E deixar ser

Dizer
É preencher
Aos outros
E dos outros

LuísM_04.12.2017


terça-feira, 28 de novembro de 2017

de chuva, o poema ou, a vida das pedras



*de chuva, o poema ou, a vida das pedras*

que mira o poeta
na convexa existência
das pedras?

roladas na palma da mão
mais não são, do que
pequenos mundos em extinção.

será da vida em trambolhões
sinais dum leito seco de rio
ou da maciez das águas
que desde as nascentes, ao mar
as fazem navegar?
ou será a chuva a dar-lhes brilho externo
mas a matar-lhes o coração?

a longa vida, na agastada
permanência dos elementos
- seja água, sejam ventos -
trazem na pele as marcas
polidas dum diálogo a dois
como eternos amantes.

sobreviventes, até ao âmago
da alma, vão-se desfazendo
em grãos de pó
até outro ciclo de transformação.

LM-28.11.2017



quinta-feira, 23 de novembro de 2017

redes sociais

"Às vezes é no meio do silêncio
Que descubro as palavras por dizer.."




Lembrei-me desta 'velha' canção da Maria Guinot, no festival da canção, de 1984, para compreender como estamos sós.
Podemos estar no meio da multidão e estar em completa solidão.
Pois, então, porque estou aqui, entre vós?
Um acaso, ou talvez não
Uma forma de comunicação!

Inventaram palavras para preencher o vazio das nossas vidas.
E elas, palavras, andam por aí, dispersas, fragmentos de sentimentos ou simples olás de momentos. Tudo guardado em servidores, disponíveis, sem rostos, sorrisos, alegrias ou dores.
São assim as redes ditas sociais.
Quem me dera poder trocar tudo isto por um olhar, num jogo de sueca, como bem lembrava um amigo meu: - só não jogo porque não há parceiros!

É esta a razão de não gostar de redes sociais.

Por outro lado, sirvo-me destas novas formas de ocupar o tempo para, do tempo fazer meu aliado:
fixar emoções.

Quando as mensagens, poemas ou não, voam por aí, uns poisam em alguns jardins, outros perdem-se na alta-atmosfera (?) ou, simplesmente, na blogosfera. (que nome estranho para solidão).

 Eu não me posso queixar: escrevo e vou lançando ao ar. São poucos os que me lêem, mas são os melhores.

E por aqui fico...

Um abraço (a não sei quem).